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Faleceu o professor Augusto Pereira Brandão

Faleceu o professor Augusto Pereira Brandão

O arquiteto Augusto Pereira Brandão, professor catedrático na FA até à sua aposentação, faleceu, esta manhã.

Prestamos à família, aos amigos, aos colegas e aos antigos alunos as mais sinceras condolências.

O corpo estará em câmara-ardente na Igreja do Santo Condestável. A missa realizar-se-á amanhã, 11 de abril, no mesmo local, pelas 16h. Depois, seguirá para o Cemitério dos Olivais para a cremação.

 

Augusto Artur da Silva Pereira Brandão nasceu a 13 de março de 1930. Formou-se em arquitetura, em 1957, pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, com média final de 20 valores. Desde então, e até à sua aposentação, desenvolveu um longo percurso académico ligado ao ensino da Arquitetura em Portugal.

Podemos falar de várias personalidades que assumiram papéis importantes na Escola de Arquitectura do pós 25 de Abril, contudo Augusto Pereira Brandão foi determinante no traçado do rumo para a “Escola de Lisboa”.Começou por exercer cargos de direção na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa - desde a sua reabertura em finais de 1975 -, tendo sido presidente dos Conselhos Diretivo, Científico e Pedagógico entre 1976 e 1984. Tornou-se professor catedrático já na Faculdade de Arquitetura, sendo presidente do Conselho diretivo e vice-presidente do Conselho Científico em 1990/91, até à data da sua aposentação, em 1991.

Os anos 80 foram marcantes e determinantes para a Escola de Arquitetura de Lisboa, tendo o Professor Brandão sido o seu timoneiro, sempre incentivando todo o tipo de iniciativas, parcerias, abrindo a Escola à Sociedade. Foi nessa década que se implementaram revisões curriculares importantes, chamando a participar no processo muitos docentes, alguns deles que tinham sido ostracizados pelo regime político anterior, ou mesmo impedidos de lecionar na ESBAL, outros que tinham sido injustamente afastados. Augusto Brandão tornou-se numa peça fundamental na passagem do curso de arquitetura da ESBAL para a Faculdade de Arquitectura da U.T.L., das negociações entre a U.T.L. e a Câmara Municipal de Lisboa, para a cedência de uma vasta área no Alto da Ajuda para um pólo da Universidade Técnica de Lisboa, onde foi posteriormente construído o novo edifício da Faculdade de Arquitetura (FA). Deve-se a ele a montagem do Gabinete do Pólo da Ajuda, no edifício Ventura Terra da Rua Alexandre Herculano, onde presidiu ao respetivo Plano, assim como ao projeto da própria FA.

Por iniciativa de Augusto Brandão, a FA deu início aos doutoramentos em Arquitetura, assim como aos primeiros cursos de Pós-Graduação em Portugal sobre Recuperação e Conservação de Edifícios e Monumentos, e sobre Arquitetura Tropical. Na mesma altura, cria um gabinete para se procederem a estudos sobre o Património de Raiz Lusa no mundo, uma vasta investigação documental, iconográfica e fotográfica, que conduziu a dois grandes congressos e a duas exposições itinerantes sobre a temática: as primeiras Jornadas Luso-Brasileiras do Património e o 1.º Congresso Internacional do Património de Raiz Lusa no Mundo.

Desenvolve, em seguida uma longa colaboração com outras universidades, nomeadamente como Diretor do Departamento de Arquitetura da Universidade Lusíada, onde foi Vice-Reitor (1991-1994), diretor do Departamento de Artes da Universidade Moderna (1993-1998), diretor do Departamento de Arquitetura e Design da Universidade Independente (1998-1999) e, mais tarde, pró-reitor na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

Foi também sob a Direção de Augusto Brandão que a FA organizou diversos encontros internacionais, entre os quais a 1ª reunião em Portugal da Associação Europeia de Escolas de Arquitetura (AEEA); seminários, workshops e conferências com figuras internacionais do panorama arquitetónico mundial; diversas exposições, dando a conhecer o trabalho de muitos arquitetos portugueses; encontros mundiais de jovens estudantes de arquitetura, entre tantas outras iniciativas. Uma das mais marcantes foram as Manobras do Chiado, em que a FA e a ESBAL acolheram outras escolas de artes da área do Chiado, abriram o espaço do antigo Convento de São Francisco à Sociedade, o Largo da Academia de Belas Artes a manifestações teatrais e musicais. O seu contributo para a Academia, para o ensino e a investigação em Arquitetura e áreas afins torna-lo numa figura de relevo ao nível do panorama Nacional Português do século XX.

Durante todo o período enquanto professor, Augusto Pereira Brandão ensinou inúmeros estudantes que vieram a tornar-se profissionais de renome, quer no mercado de trabalho, quer no mundo académico.

Augusto Pereira Brandão desenvolveu, paralelamente, intensa atividade profissional em estudos e projetos de arquitetura, bem como de planeamento territorial. A sua atividade enquanto arquiteto destacou-se especialmente na área das construções escolares. Foi técnico superior da Junta das Construções para o Ensino Técnico e Secundário e da Direcção-Geral das Construções Escolares entre 1955 e 1974, tendo dirigido o Grupo Técnico que projetou, entre outros, os edifícios dos Liceus Rainha D. Leonor, em Lisboa (1956), da Covilhã (1960), Garcia da Horta, no Porto (1966), de Gondomar (1965), da Maia (1967), de Vila Nova de Gaia (1967).

Teve, também, uma participação institucional associada ao património e aos estudos lusófonos com a Fundação Calouste Gulbenkian com a Sociedade de Geografia de Lisboa e com a Fundação Cidade de Lisboa. No campo da escrita, tem mais de uma dezena de livros publicados e inúmeras intervenções em revistas de Arquitetura. 

Professor catedrático Fernando Moreira da Silva

Date

10 abril 2018

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