O lançamento do livro “Cristo – Ordo Templi Finitus est; Crónica Breve do Fim de um Mundo”, da autoria do Professor António Leite, realiza-se no próximo dia 7 de maio, pelas 18h30, no Espaço Caleidoscópio, na Quinta da Fonte do Anjo.
A sessão contará com a apresentação de Maria Adelina Amorim, convidando o público a conhecer de perto esta nova obra e a participar num momento de partilha e diálogo em torno do livro.
Sinopse do livro:
"Uma história que não é História, mas que é, simultaneamente, uma história imaginada sobre o destino oculto do antigo Templo dos templários, sobre a Ordem de Cristo e sobre alguns dos grandes factos e mistérios do ocaso de Tomar; ou melhor, esta é uma simbólica história sobre um tempo sombrio de mudança, um quimérico tempo quinhentista há muito esquecido e apagado que fechou, pelo menos para os que assim ainda acreditam, um outro mundo que prometia ao Templo um mais amplo e predestinado futuro.
Pois é, esta história, que designámos como uma crónica breve, transporta-nos para 1529, um tempo imperial que foi marcado em Portugal pela transição entre o reinado do Venturoso e a afirmação dita programaticamente piedosa do seu filho dom João III, processo que como veremos iria marginalizar o Templo e impor uma verdadeira reforma e refundação da Ordem de Cristo.
Sim, esta história constrói-se sobre essa espúria transição de mundos, uma transição que confirmou a degeneração de um destino nacional que se fundara sobre os desígnios do Templo, que, como veremos, começou a ser radicalmente imposta na sua Casa-Mãe e Cabeça da Ordem, o todo-poderoso Convento de Cristo de Tomar, pelo sombrio e obstinado, mas tal como o seu notável homónimo com fama de santo milagreiro, frei António de Lisboa. Com efeito, tudo ocorrerá a partir daí, determinando-se nos antigos espaços físicos e simbólicos de Tomar, um confronto inevitável entre um novo mundo, que iria conformar e confirmar um tempo de Inquisição que tristemente tudo iria condicionar, e um velho mundo, o Mundo de um velho frei-cavaleiro sem idade, que, já sem ilusões mas apenas pelo bem e pelas grandes glórias e virtudes do antigamente, ainda se recusa espiritualmente a morrer.
Porém, para lá de todos os meros actos e acções romanceadas que revelamos tempo de transição, tempo que afastaria sem retorno a coroa portuguesa e Portugal da crença matricial num tolerante e ilimitado Cristo Universal, pois talvez tenha sido essa crença a nossa primeira razão fundadora, esta história não é nem poderia ser só isso.
Efectivamente, para lá de todas as futuras determinações que iriam passar a submeter o Reino a todas as certezas de um ultramontano catolicismo romano, esta história centrou-se também, intencionalmente, sobre as mais genuínas e intemporais pulsões das vontades humanas; ou seja, centrou-se também sobre o devir irrefreável de todos os desejos e ambições, que, tanto no passado como num qualquer futuro, mas nunca de um modo finito e absoluto, confrontam e valorizam também elas dialecticamente um puro e luminoso bem, que mantem vivo o Templo e uma fecunda e espiritualizada esperança, face a um endémico e omnipresente mal que, pela sua mísera e intolerância, surge hegemónico nos tempos de trevas e nas acções que constroem os mais tristes destinos dos homens."
Nota Biográfica do autor:
António Santos Leite
"Arquitecto e professor por formação, mas também artista plástico e ficcionista, nasceu em Lisboa em 1966.
É licenciado em Arquitectura (1995) e Mestre em Habitação pela Universidade Técnica de Lisboa (2001), doutorado em Projecto de Arquitectura pela Universidade Politécnica de Madrid (2008) e Professor Agregado pela Universidade de Lisboa (2019).
É docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa desde 1996 e escreve regularmente em publicações de Arte e de Arquitectura.
Da sua vasta bibliografia destacando-se os livros:
A Casa Romântica: uma Matriz para a Contemporaneidade (2014), A Casa Senhorial como Matriz do Território (2015), 7 Casas Imaginárias: Sete Caminhos de Identidade (2019), Reabilitação ou Arquitectura: Reflexões sobre Reabilitação Urbana e Arquitectónica (2022), Sobre a Cidade e as Cidade: Reflexões e Análises Contextuais (2023) e O Olho Imperfeito: Reflexões sobre
Arte e Arquitectura (2024)."